Please don`t let me be misunderstood!


De todos os sete, sete cometidos por todos! - 4. Luxúria, a Insinuante

 

“A luxúria é como uma besta feroz que, depois de ser irritada pelos ferros, é a seguir solta. (...) A moderação, portanto, é inimiga da luxúria, e a luxúria é seguidora do prazer” – frase latina

“Amor é apenas luxúria disfarçada, e a luxúria termina um dia, por isso o melhor é estarmos com alguém que nos tolere.” – frase do filme “Uma Vida a Dois”

Born in Lust, turn to dust. Born in Sin, come on in. Born in Vice, say it twice.” – Stephen Kings’ “Storm of the Century”

 

Nosso pecado do meio será a luxúria, talvez porque cause tanto furor e seja um assunto sobre o qual, contraditoriamente, as pessoas gostem tanto de falar e de esconder!

Luxúria é outro dos pecados cuja definição é meio conturbada. A rigor, ela seria uma certa “vontade de sentir prazer”. Alguns a reduzem ao prazer carnal. Outros, simplesmente ao prazer sexual. Apesar de eu acreditar que a primeira definição esteja certa, é óbvio que a noção comum do termo é a última, então ela será mais explorada aqui. Mas voltando à primeira: há algo mais humano que querer sentir prazer com o que quer que seja? Essa busca está sempre presente em cada passo que damos em nossos variados caminhos, se manifestando nas relações formadas com os outros, com os objetos, com o mundo ao redor, enfim, em todos os âmbitos cotidianos. Agora, provavelmente, o “pecado” estaria na dedicação suprema a saciar algum desses prazeres, passando por cima de quase todo o resto, tomando atitudes não condizentes com a própria natureza ou personalidade. Além disso, o eventual encontro com esse prazer seria de alguma forma prejudicial à própria pessoa e a outras, além de induzir um certo vício por vezes incontrolável e destrutivo. Mas não tenho certeza se é isso mesmo, porque seria difícil estabelecer essas hipóteses e talvez estivessem muito ligadas à moral de certa sociedade. Mas qual dos pecados já vistos aqui também não está?

No campo do sexo, principalmente, a obsessão com a satisfação de alguns desejos “secretos” (ou “proibidos”) é geralmente muito mal vista, bem como quando essa busca por mesmo aqueles desejos considerados “normais” é incessante, perturbadora, insana – “tarada”. E aquela pessoa, figura representativa, cena ou mesmo músicas/sons e sensações que só de você olhar/vivenciar desperta a vontade de obter prazer, o desejo em sua forma mais profunda e devastadora, mesmo nas situações mais inconvenientes ou menos propícias? E aquela fantasia que muitos achariam estranha e te insinua a luxúria? Aquela imagem (no sentido figurado) que muitos pensariam ser comum ou mesmo feia/pouco atraente e que causa arrepios em você? Essas e outras reflexões me levam a crer que a luxúria é um dos pecados mais pessoais (senão o mais pessoal), porque o prazer de cada indivíduo pode ser estimulado e obtido por maneiras e fontes beeem diferentes que as de outro. Talvez isso cause inclusive alguns problemas nas relações entre as pessoas, com complicadas incompatibilidades nessa área. Aliás, outro tema interessante sobre isso deriva da pergunta: o amor e a luxúria andam juntos? Eu diria que somente o amor a si próprio, pois a luxúria em si seria justamente a vontade de se satisfazer, ainda que não faça o mesmo pelo próximo ou que o prejudique. Mas é claro que a luxúria e o amor a outra pessoa também podem andar juntos e se complementar muito bem, na medida em que se consegue ponderar as vontades, os desejos e os prazeres. Talvez nesse contexto, inclusive, ela não exista enquanto “pecado”.

Não diria que sou obsessivo ou constantemente “perturbado” por esse “pecado”, mas obviamente a luxúria está em mim também. Mas acredito que sei controlá-la e tolhê-la a ponto de, na maioria das vezes, estar dentro do “moralmente aceitável”. Afinal, dentro das nossas mentes só nós sabemos quais são e quando se passam os pensamentos por vezes “pervertidos” (essa é uma palavra complicada também, aliás), dos quais muitas vezes os outros não têm nem vaga idéia. Por isso, acredito que o mundo social, na verdade, é um verdadeiro conjunto de “pervertidos”, que ora se fecham e escondem, ora aparecem com força total (e nem sempre da forma negativa que se poderia imaginar). E o mais curioso é como há um sentimento coletivo de repugnância aos comportamentos deveras lascivos ou “safados”, acompanhado de adjetivos como “vadia”, “tarado”, etc. E creio também que esses sentimentos comuns a toda a sociedade geralmente vêm acompanhados de certa inveja do extravasamento daquela conduta que, quem sabe, você mesmo está escondendo dentro de si e gostaria de extravasar também, libertando-se das amarras morais. Esses dias ouvi essa frase de um amigo: “todo moralista é um hipócrita, toda moralista é uma baranga”. O sentido lúdico e sexista à parte, ela representa bem como a luxúria é percebida nos outros e em nós mesmos. O “proibido” anda lado a lado com o prazer, e acho que sem aquele, este sozinho não configuraria a luxúria. Ou será que mesmo o prazer muitas vezes não subsistiria se não fosse proibido? (lembro agora de ter lido certa vez uma daquelas teorias meio conspiratórias de que todo o sistema capitalista, aliado aos princípios religiosos, tentam nos impulsionar para o trabalho ao tornar proibidas diversas fontes de prazer, intensificando assim a produtividade e o aspecto humano laboral... Viajante demais ou faz sentido?) Qualquer coisa, Freud explica!

         

          Tenho a impressão de que fui bem confuso dessa vez e não consegui talvez captar o verdadeiro sentido da luxúria... Corrijam-me no que acharem que “pequei” e dêem sua impressão da luxúria! Tenho certeza de que muitos dos “tarados (as)” que conheço podem dar sua opinião hahah! (brincadeira, pessoas) (ou não)

           P.S. 1: Leiam o livro da coleção Plenos Pecados sobre a Luxúria: A Casa dos Budas Ditosos! É bem engraçado e interessante, apesar de um pouco pesado.

           P.S. 2: não poderia deixar de colocar a "insinuante" Angelina Jolie aqui né! Essa mulher é a personificação da luxúria, minha gente! Nem peço desculpa às leitoras, porque qualquer um deve gostar de ver esses lábios hahah!



Escrito por Bruno Lourenço às 11h52
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De todos os sete, sete cometidos por todos! - 3. Avareza, a Obsessiva

"A avareza perde tudo ao pretender ganhar tudo." (Jean de La Fontaine)

"A avareza é um tirano bem cruel; manda ajuntar e proíbe o uso daquilo que se junta; visita o desejo e interdiz o gozo." (Plutarco)

"O absurdo da avareza está no fato de o avaro viver como pobre e morrer rico." (Vittorio Buttafava)

"Ser avarento é pior do que ser pobre." (Textos Judaicos) 

 

(meses depois)

Partamos hoje para aquele pecado que creio ser o mais desconhecido e pouco comentado: a avareza. Sim, esse nome mesmo me causa algumas dúvidas quanto a tudo que ele abrange... Mas dei uma pesquisada por aí, então veremos!

Segundo o dicionário, seria a avareza o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, mesquinhez, sovinice. Outra definição dizia que é a mania de acumular, empilhar coisas (?!). Acredito que a avareza não esteja estritamente ligada ao dinheiro: seria mais um apego excessivo às coisas materiais, quaisquer que sejam. Daí viria a oposição àquelas frases manjadas do tipo “da vida nada se leva”, “não importa o ter, mas o ser” e coisas do tipo. Associa-se a avareza à superficialidade nas relações, à ganância desumana, às amizades interesseiras, ao egoísmo. Mas creio que, na verdade, também seria inerente ao ser humano (como os demais pecados) deixar-se envolver com seus pertences e certos bens materiais, variando muito de acordo com as preferências desenvolvidas por cada um. O “pecado”, entretanto, moraria em colocar isso acima de tudo, afastar pessoas, mudar radicalmente o comportamento, desenvolver uma busca obsessiva por ter/empilhar sempre mais ou conservar de forma doentia o que já se tem. É um comportamento geralmente identificado e incentivado no mundo dos negócios e, de certa forma, em todas as áreas desse mundo tão competitivo e materialista.

Olhando para mim mesmo, vejo a avareza também. Percebo quantas coisas eu já comprei que, a fundo, não queria. Só para empilhar, acumular, sem qualquer motivo real. E, mesmo aqueles bens que me são tão caros e dos quais eu verdadeiramente desfruto (quem me conhece, sabe dos dvds, livros e quadrinhos), em sua maioria, seguem uma seqüência, grupos, uma ordem, enfim, uma coleção. Acho que a forma com que esse pecado mais se manifesta em mim é em meu aspecto colecionador: querendo completar o que comecei, conservar intactos cada box ou edição (por vezes, me impedindo de emprestá-los ou tendo agonia de vê-los manuseados – mas isso já estou conseguindo superar muito nos últimos tempos, ainda bem), adorando as lombadas regulares ou padrões que os fazem tão harmônicos, bonitos, prazerosos de se observar e usar... ou seja, TER. Apesar de eu ter meus surtos, não diria que é meu pecado mais expressivo. Mesmo porque venho perdendo algumas das doentias características de colecionador que eu tinha muito (mas ainda não a maioria). Descobri o prazer em compartilhar minhas coleções e ver os outros gostando da mesma coisa que eu, em discutir seus méritos, em desenvolver amizades e pontos em comum com os outros por meio das coisas também (o que acho perfeitamente válido).

Contudo, acho que, desde pequeno, nunca fui apegado ao dinheiro pelo dinheiro, nem fui muito “mão de vaca”. Sempre preferi ganhar, quando criança, um brinquedo qualquer a dinheiro, gastava minhas mesadas (a exemplo de hoje) rapidamente com o que eu queria, emprestando quando me pedem. Talvez devesse ser até um pouco mais avarento nesse sentido para economizar mais e ser menos consumista. Mas realmente nunca vi graça ou prazer em ter muito dinheiro na mão sem um destino certo ou sem nenhum “sonho de consumo” que eu tenha coragem de realizar. Não entendam com isso que eu não queira ter muito dinheiro, hein? hahah Mas outra curiosidade é que nunca tive a vontade de ser muito rico ou milionário. Financeiramente, só quero uma vida estável e tranqüila, com a qual dê pra sustentar sem grandes preocupações o que me é necessário e supérfluo (no caso, meus hobbys e distrações, nada como carros, casas, viagens longas – não ligo muito pra essas coisas), dentro do possível. Sei como é a tendência humana de quanto mais ter, mais querer.

Quanto à minha visão desses pecados nos outros à minha volta, conheço algumas pessoas tipicamente avarentas. Causa-me grande repugnância ver o quanto desistem de tantas coisas para ter mais ou não perder algo material. Ou observar sua obsessão com ganhar dinheiro a qualquer custa, impedindo-as de verdadeiramente viver ou aproveitar os momentos felizes sozinhas ou com aqueles que amam. De tanto pensar em suas atitudes, é que consigo refletir mais as minhas obsessões e condutas avarentas, tentando amenizá-las e contorná-las!

E você, é avarento ou só na medida do normal? Em qual sentido: do dinheiro pelo dinheiro ou na acumulação de coisas? Isso atrapalha sua vida?



Escrito por Bruno Lourenço às 10h10
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De todos os sete, sete cometidos por todos! - 2. Gula, a Excessiva

“Todo desejo é um desejo de morte.” - possível máxima japonesa

“O peixe morre pela boca.” – crendice e ditado popular

Continuando com o tema, é a vez daquele pecado que, à primeira vista (e, talvez, à segunda, terceira, ...), todos devem ligar a mim: a Gula. Não posso dizer que não cometo (e, às vezes, muito) esse pecado, certamente, como minha própria condição física demonstra. Mas não diria que é aquele que mais me representa (deixarei este por último na seqüência). Mas vamos lá!

A gula está muito relacionada ao desejo incontrolável, na maioria das vezes, por comida. Contudo, há quem diga que é a vontade de consumir, ter, usar, comprar, etc algo em proporção excessiva, maior que a necessária a si. Acho, inclusive, que é o pecado mais próximo da luxúria, mas com direcionamentos opostos ou sendo aquela gênero desta. Mas a idéia de comidas apetitosas continua sendo aquela que vem imediatamente à cabeça quando se pensa na Gula, obviamente. Aquele cheiro, textura, imagem, cores de comidas que você adora (ou mesmo que nunca tenha provado) desfilando e brincando com seus sentidos, mesmo que seu organismo diga que você não precisa ou mesmo não agüenta mais aquilo. Totalmente supérfluo e evitável, certas vezes. Beira o irresistível e incontrolável, em outras.

E, depois de conquistar o alimento, saborear cada ponto de sua superfície, os gostos proporcionando prazer que, talvez, não conseguiria em qualquer outro meio naquele momento! Aliás, acredito que a busca do prazer em algo mais fácil e acessível, mas não menos potente, seja uma chave motivadora da gula. Principalmente naqueles momentos em que se está triste, desapontado, deprimido, perdido ou simplesmente não se tem o que fazer. O consolo procurado nos chocolates e seus companheiros é algo que parece ser partilhado por muitos, por exemplo. Em algumas situações, é grande ajuda no processo de tranqüilização de nervosismos, raivas ou ansiedades. Seria válida e necessária essa troca em certas situações, ou apenas uma ilusão ou distração para que cheguemos ao que realmente temos que resolver? A bebida entraria nessa categoria da gula, sob esse aspecto?

Mas aí vem o depois. A percepção da própria gula é horrível: aquela sensação de exagero, nojo por qualquer comida que passar pela frente, enjôo, apatia, etc. Até mesmo uma tristeza e desânimo repentinos inexplicáveis. Será a percepção da gula em nós mesmos que provoca isso, como uma espécie de culpa externada em sensações físicas ou psicológicas? Creio que todos já devem ter vivenciado essas sensações alguma vez. Já quando notamos a gula nos outros, vem também essa impressão de “disgusting”, o incômodo provocado pelo excesso visível e totalmente desnecessário.

Na coleção Plenos Pecados, o livro de Luís Fernando Veríssimo sobre o tema, “O Clube dos Anjos” (que eu já li e recomendo para quem quer uma leitura relativamente leve e rápida), conta a história de um grupo de homens apaixonados mortalmente por comida, vinhos e mulheres. Eles se reúnem de tempos em tempos na casa de um deles, onde, a cada encontro, o anfitrião é o chef, apresentando em exagero seu prato favorito. Mas as brigas internas e o exagero em tudo acaba levando a várias discórdias e à morte misteriosa de um por um na sucessão dos encontros. Descobre-se logo no início que deveria ser algum veneno na comida ou algo do tipo, mas a sedução dos pratos sobre cada um dos amigos não os deixa resistir. Há, inclusive, uma parte interessantíssima em que Veríssimo descreve um peixe que é iguaria entre os orientais, mas muito venenoso, sendo muito alta a chance de se morrer ao provar um, mesmo com vários cuidados prévios. Mas isso atrairia pessoas do mundo inteiro, pois (o que acaba sendo uma tese subsidiária do livro) aquilo que se faz com risco de morte, se faz com um prazer maior ainda, beirando o transcendental! Mas um dia acaba-se morrendo por fazer isso.

Talvez eu não tenha dito nada mais profundo sobre esse pecado por ser um considerado mais aceitável e momentâneo mesmo. Ou por ser de natureza mais física e simples. Ou ainda pelo fato de que o pecado que estou vivendo mais intensamente nesse exato momento não ser a gula, mas a intensa Ira. Mas isso fica pra um dos próximos posts. Por enquanto, falemos e pensemos sobre a gula em todos os seus possíveis sentidos e as sensações quase nauseantes que ela causa como conseqüência! Uma dúvida que permeia a própria existência desse post, aliás: poderia ser a gula considerada realmente um pecado ao lado dos demais (em uma visão comparativa, não religiosa ou ao pé da letra)?



Escrito por Bruno Lourenço às 16h50
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De todos os sete, sete cometidos por todos! - 1. Inveja, a Inconfessável

“O invejoso chora mais o bem alheio que o próprio dano.” (Francisco de Quevedo)

“Podemos descrever o nosso ódio, nosso ciúme, os nossos medos, as nossas vergonhas. Mas não a nossa inveja.” (Francesco Alberoni)

“A inveja é uma merda.” (adesivo de automóvel)

 

 

 

Faça um teste estatístico como eu: digite “inveja” no campo para procurar comunidades no orkut e veja o número de pessoas em cada uma... “Sua inveja faz minha fama” tem nada menos que 2.760.386 membros! Quase 3 milhões de pessoas (e brasileiras, pelo visto)! Aquela que tem menos membros na página inicial de pesquisa é “Sua inveja não me atinge!”, com 89.168 membros, mais que a média de todas as outras comunidades existentes, creio. Passamos aí por “Inveja de mim? Entra na fila!”, “Inveja é falta de capacidade!”, “Inveja é foda!”, entre outros. Agora, será que entre essas quase 3 milhões de pessoas que apontam o dedo para os outros, nenhuma delas cometeu ou comete o “pecado” da inveja? E, afinal, quem é o seleto grupo que anda invejando essas pessoas, já que todas são apenas vítimas do pecado?

É por isso que acho brilhante a tese do jornalista Zuenir Ventura em seu livro-reportagem “Mal Secreto”, para a coleção Plenos Pecados da editora Objetiva. Estou parado com ele há um tempo (na metade), mas o começo é muito interessante. Um trecho:

“(...) a inveja aparecia como o ‘pecado brasileiro’, ou aquele que as pessoas mais conheciam e identificavam. Fora apresentado a 407 entrevistados um cartão contendo o nome dos sete pecados capitais e a pergunta: ‘Qual ou quais os pecados mais conhecidos?’. Noventa e quatro por cento disseram que era a inveja. Quando se tentou saber que pecados os entrevistados admitiam ter cometido ‘sempre’, ‘às vezes’ ou ‘nunca’, o resultado foi mais curioso. Apenas 3 % confessaram cometer ‘sempre’ o pecado da inveja; 18% admitiram cometer ‘às vezes’ e 79% disseram que ‘nunca’ o tinham cometido. Os três pecados que as pessoas mais confessavam praticar eram a ira, a preguiça e a gula. Tanta gente confessando conhecer a inveja e tão poucos admitindo cometê-la reforçava o que se dizia em quase todos os textos que eu estava lendo: que ela era um pecado vergonhoso e ‘inconfessável’, pelo menos publicamente.” (p.25)

 

 

Pois bem, atire a primeira pedra quem diz por aí: eu sou invejoso, tive inveja de fulano tal vez, morri de inveja naquela situação, etc? Por inveja, no sentido clássico, entendo não apenas querer o que o outro tem, mas, ao mesmo tempo (ou mesmo sem querer aquilo), não querer que ele o tenha. Aí falam da tal “inveja boa”: esta seria desprovida dessa última parte e mistura a tristeza de não ter/querer ter com a felicidade e grande admiração pela conquista do outro. Não sei até que ponto isso seria “inveja”, mas acho que é um sentimento bem comum em todo mundo, seja em notas escolares, aprovações em vestibulares ou concursos, promoções ou ofertas de emprego, aquisições materiais, até mesmo boa relação com familiares e amigos, talvez... Mas não creio que esta seja a única que vivenciamos: acho que realmente todos já sentimos aquela “inveja má”, destrutiva, egoísta e mesquinha – inconfessável. Como admiti-la, então? Confesso que eu também acho muito estranho (naquele sentido de “awkward”) e desconfortável dizer: queria aquilo que fulano não tinha e que ele não tivesse, ou só “queria que siclano não tivesse ou conquistasse isso”. Se já senti inveja, naquele sentido clássico? Sim, com certeza! Se gosto ou consigo confessar? Aí é outra história! É realmente o “pecado” mais inconfessável, “feio”, diferente principalmente daqueles de origem mais física, como a gula, a ira, a preguiça e a luxúria (apesar desta em grau bem menor que as demais), entendidas como mais “comuns e aceitáveis” por todos.

Avançando para o outro lado, o da percepção da inveja nos outros, constata-se um fato realmente impressionante: é a desculpa e arma de mais de 90% das pessoas em face daqueles que consideram seus inimigos, ou em face de seu próprio infortúnio ou defeitos que outros constataram. “Liga não, é inveja! Ele (a) daria tudo pra ser/ter metade de quem você é/tem” ou “não gostou? É inveja!”. Quem nunca ouviu ou comentou isso em uma situação em que os defeitos ou erros de alguém (seus ou de outra pessoa) foram expostos ou críticas a essa pessoa foram feitas (e não aceitas por ela)? Até que ponto essa inveja é realmente verdadeira, mecanismo de defesa ou mero clichê?

Enfim, considero esse o pecado mais interessante e difícil de analisar, por isso comecei por ele. Ele é extremamente inexplicável e humano, além de, como repetido à exaustão, inconfessável!

 

 

 

E vocês, concordam? Acham que todo mundo sente inveja em dadas situações? Ou existem aqueles invejosos de natureza? Há uma “inevja boa” e uma “inveja má”? Vocês conseguem confessar sua inveja normalmente?



Escrito por Bruno Lourenço às 09h57
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De todos os sete, sete cometidos por todos!

Sete é o número pra tudo, disso todos sabem, certo?

De repente, me bateu uma vontade de falar sobre os sete pecados capitais! Não, isso nada tem a ver com a novela recente da globo, da qual nunca vi um capítulo completo (apesar de achar a abertura muito bonita e inovadora - vê-la pela primeira vez provavelmente me inspirou a falar sobre isso). Sim, sempre foi um assunto que me despertou interesse. Já tentei, inclusive, em vão, transformá-lo em tema de feiras culturais da minha turma nos tempos de ensino médio...

Bem, minha opinião sobre a definição desses sete "pecados"... Primeiramente, tenho que afirmar que duvido que alguém (que tenha faculdades psicológicas plenamente desenvolvidas e não seja mais criança) nunca tenha experimentado sequer algum deles. Acredito plenamente que, mesmo que em menor porção, cada um dos sete contém sensações, desejos e instintos que nos guiam em nosso dia-a-dia e já foram "cometidos" por todos. Logo, creio que emanam um teor profundamente humano, normal e perdoável. Claro que isso não impede que muitas vezes nos sentamos culpados ao perceber que os praticamos em certa(s) ocasião(ões). O que poderia, então, fazer de cada um "pecado" (tentando desvincular o sentido religioso ao máximo que posso) seria viver intensamente no encalço de um ou mais deles (mesmo, e geralmente, que não conscientemente), deixando-se tornar excessivo e prejudicial (a si e/ou aos outros) nos setores cotidianos.

Enfim, não sei se consegui explicar direito meu ponto de vista sobre o assunto... Mas meu interesse pela temática é justamente a amplitude com que os sete abrangem a conduta humana, em seus mais diversos aspectos. E, claro, a forma com que cada um os encara, em si e nos outros (e a diferença entre essas perspectivas)! Mas planejo falar de cada um em específico nos próximos tempos, espero que não seja muito ridículo, enfadonho ou esotérico (Gilmar Mendes mode on)... Conto com os profundos comentários dos ávidos leitores hahah!

http://www.youtube.com/watch?v=4r9QPrfN66o - a abertura que eu acho legal!



Escrito por Bruno Lourenço às 18h04
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Davaneio

"The more I see, the less I know, the more I'd like to let it go... Hey Ooh!"



Escrito por Bruno Lourenço às 17h21
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Every Day a Little Death

Não, o post passado pouco estava conectado à volta às aulas (mas tem lá sua relação)... Bem, este é um pequeno post só pra constatar o quanto estranhamente os nomes dos episódios de Desperate Housewives parecem com meu estado atual de espírito, formando essa seqüência que se repete perfeitamente:

Running to Stand Still

Move On

Every Day a Little Death

There Won't Be Trumpets

Bang

Your Fault

That's Good, That's Bad

Nice She Ain't

Suspicious Minds

Silly People

Could I Leave You?

Remember

Not While I'm Around

Live Alone and Like It

I Know Things Now

Like It Was

Fear No More

Listen to the Rain on the Roof

No Fits, No Fights, No Feuds

One Wonderful Day

Next



Escrito por Bruno Lourenço às 17h22
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Never enough

Se há uma regra que descobri que todos deveriam saber que opera no mundo, é a seguinte: nada é bom o bastante.

Life is a Song (Patrick Park)

You say life is a dream where we can't say what we mean
Maybe just some roadside scene that we're driving past
There's no telling where we'll be in a day or in a week
And there's no promises of peace or of happiness

Well is this why you cling to every little thing
And polverize and derrange all your senses
Maybe life is a song but you're scared to song along
Until the very ending

Oh, it's time to let go of everything we used to know
Ideas that strengthen who we've been
It's time to cut ties that won't ever free our minds
From the chains and shackles that they're in

Oh, tell me what good is saying that you're free
In a dark and storming sea
You're chained to your history, you're surely sinking fast
You say that you know that the good Lord's in control
He's gonna bless and keep your tired and oh so restless soul
But at the end of the day when every price has been paid
You're gonna rise and sit beside him on some old seat of gold
And won't you tell me why you live like you're afraid to die
You'll die like you're afraid to go

Oh, it's time to let go of everything we used to know
Ideas that strengthen who we've been
It's time to cut ties that won't ever free our minds
From chains and shackles that they're in
From the chains and shackles that they're in

Well life is a dream 'cause we're all walking in our sleep
You could see us stand in lines like we're dead upon our feet
And we build our house of cards and then we wait for it to fall
Always forget how strange it is just to be alive at all



Escrito por Bruno Lourenço às 20h12
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Recomeçando as resenhas inúteis...

Studio 60 on the Sunset Strip

1.01  – Pilot

Nota: 4.0 / 5.0

É um piloto interessante... Nada espetacular como disseram por aí, mas atrai. Me pareceu a visão de bastidores de um show completamente tensos e decadentes... Os personagens de Matthew Perry (ou Chandler, como o chamarei por aqui), Amanda Peet e a que se chama “Harriet” foram os que mais achei interessantes, a princípio. O barraco do início do episódio vale por ele inteiro: muito bem feito mesmo!! E descobri que “Under Pressure”, do Queen, é uma ótima música pra terminar um piloto, e que ter Felicity “Lynette Scavo” Huffman como convidada-pontinha não é nada mal também!

 

“Matt: When I screw up, I tell you about it.
Danny: When you screw up, I read about it.”

 

“Wes Mendell: Pornographers! It’s not even good pornography. It’s just a side of snuff films and friends that’s what’s next because that’s all there is left. And the two things that make them scared gutless of the FCC is and every psycho religious cult that gets positively horny at the mention of a boycott.”



Escrito por Bruno Lourenço às 09h52
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1.02  – The Cold Open

Nota: 3.5/5.0

Na minha opinião, mais fraco que o primeiro, provou-se um verdadeiro “Cold Oppen”. Vale pela expectativa do número no fim (que ficou bem sem graça, apesar disso) e pelo barraco entre Matt e Harriet... Quase desisti de acompanhar, mas não foi o caso, ainda bem!

 

“Matt: (to the writer's room) We're going to act, dress, talk, write and behave professionally.
Harriet: (Bursting through the door) You are an adolescent, oversexed, whore monger with the sensitivity of a head of cabbage.
Matt: (to the writer's room) And all that will begin in just a few minutes.”

 



Escrito por Bruno Lourenço às 09h49
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1.03  – The Focus Group

Nota: 4.5/5.0

Ótimo! Muito legal mesmo conhecer o cotidiano de uma série, com as respostas dos espectadores, a pressão dos agentes de mídia e políticos, a expectativa de um número mínimo de audiência, os escândalos sexuais de pessoas aparentemente honradas que dirigem bêbadas, etc... Agora sim, começou a ficar muito bom!

 

“Danny: What? They were asked if it was patriotic or unpatriotic?
Ricky: Yeah.
Danny: It's a television show, it's not the Iwo Jima memorial.”

 

Jordan: He wanted me to go to clubs with him.
Jack: What kind of clubs?
Jordan: Golf, tennis, wine tasting...
Jack: (interrupting) Hey! Jordan!
Jordan: The kind where you watch other people having sex! (pause) I was twenty-five. I married a slug.
Jack: So did my wife, but I don't make her go to Plato's Retreat.
Jordan: You make her go to the People's Choice Awards.
That's not bad enough?”

 

“Matt: Tell me the truth. How important is audience retention tonight?
Danny: It's important, Matt, we can't lose more than ten percent. What do you think? The sponsors, the affiliates, the press, the right, our job, Jordan's job, everybody's job. It's important.
Matt: All right, lie to me next time.”



Escrito por Bruno Lourenço às 09h48
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Nossa, não esperava que tanta gente teria paciência para ler os pedaços do livro que eu tinha postado, pensava que realmente não gostariam... Muito obrigado pela consideração! Só pra encher o saco, postei mais um aqui embaixo... Até!



Escrito por Bruno às 08h30
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Mais um trechinho que achei interessante! Comece a ler por esse de cima!

GERALMENTE, O MAL não dorme, e por isso não entende porque qualquer outra pessoa deveria. Mas Crowley gostava de dormir, esse era um dos prazeres mundanos. Especialmente após uma refeição pesada. Ele dormira ininterruptamente durante a maior parte do século dezenove, por exemplo. Não porque precisava, simplesmente porque gostava.[1]

Um dos prazeres mundanos. Bem, era melhor ele realmente começar a desfrutá-los agora, enquanto ainda havia tempo.

O Bentley rugiu noite adentro, dirigindo-se ao leste.

Claro, ele era totalmente a favor do Armageddon em termos gerais. Se alguém perguntasse para ele o porquê de ter desperdiçado séculos se metendo nos assuntos da humanidade, ele teria dito, “Oh, no esforço de instaurar o Armageddon e o triunfo do Inferno.” Mas uma coisa era trabalhar para ocasioná-lo, e completamente outra era fazê-lo realmente acontecer.

Crowley sempre soubera que ele estaria por perto quando o mundo acabasse, pois era imortal e não teria qualquer alternativa. Mas ele esperava que ainda demoraria muito para acontecer.

Porque ele meio que gostava de pessoas. Esse era um grande defeito em um demônio.

Oh, ele fazia seu melhor para tornar suas curtas vidas desprezíveis, porque esse era o seu dever, mas nada que ele podia inventar era metade de quão más eram as coisas que eles inventavam por si próprios. Eles pareciam ter um talento para isso. Vinha junto com o design, de alguma forma. Eles nasciam em um mundo que era contra eles de milhares pequenas maneiras, e então devotavam a maior parte de suas energias para torná-lo pior. Ao longo dos anos, Crowley achou cada vez mais difícil encontrar algo demoníaco para fazer que se destacasse contra o fundo natural de maldade generalizada. Houvera vezes, durante o milênio passado, em que ele quisera enviar uma mensagem de volta para Baixo dizendo, Olhem, nós também podemos desistir agora mesmo, nós também poderíamos fechar Dis e Pandemônio e todos os lugares e nos mudarmos aqui pra cima, não há nada que possamos fazer a eles que eles não façam por si próprios e eles fazem coisas que nós nunca sequer pensamos, frequentemente envolvendo eletrodos. Eles têm o que falta a nós. Eles têm imaginação. E eletricidade, é óbvio.

Um deles havia escrito isso, não havia... “O inferno está vazio, e os demônios estão todos aqui.”

Crowley recebera um elogio pela Inquisição Espanhola. Ele havia estado na Espanha na época, principalmente vagabundeando por cantinas nos cantos mais agradáveis, e nem ao menos tomara conhecimento até que o elogio chegara. Ele foi dar uma olhada, voltou e ficou bêbado por uma semana.

Aquele Hieronymus Bosch. Que esquisitão.


[1] Apesar de que ele teve que acordar em 1832 para ir à casa de banho.



Escrito por Bruno às 08h26
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Mais um trechinho que achei interessante!

E justo quando você pensa que eles eram mais malignos que o Inferno jamais poderia ser, eles podiam ocasionalmente mostrar mais honra e elegância que o Paraíso jamais sonhara em ter. Frequentemente, o mesmo indivíduo estava envolvido. Era essa coisa de livre-arbítrio, óbvio. Era uma droga.

Aziraphale tentara explicar para ele uma vez. Todo o negócio, ele dissera – isso era em algum tempo por volta de 1020, quando eles chegaram pela primeira vez a seu pequeno Acordo – todo o negócio era que, quando um humano era bom ou mau, era porque eles queriam sê-lo. Enquanto pessoas como Crowley e, claro, ele mesmo, estavam fixos em seus caminhos desde o começo. As pessoas não conseguiam se tornar verdadeiramente santas, ele disse, a não ser que também tivessem a oportunidade de serem definitivamente perversas.

Crowley pensara sobre isso por algum tempo e, por volta de 1023, ele disse, Espera aí, isso só funciona, certo, se você considerar que todos começam iguais, okay? Você não começar com alguém em uma barraca lamacenta no meio de uma zona de guerra e esperar que sucedam tão bem quanto alguém nascido em um castelo.

Ah, Aziraphale dissera, essa era a parte boa. De quanto mais baixo você começa, mais oportunidades você tem.

Crowley dissera, Isso é ridículo.

Não, disse Aziraphale, isso é transcendental.

Aziraphale. O Inimigo, é claro. Mas um inimigo por seis mil anos agora, o que fazia dele um tipo de amigo.

Crowley abaixou-se e pegou o telefone do carro.

Ser um demônio, obviamente, deveria significar que você não tinha livre-arbítrio. Mas você não poderia vadiar entre os humanos por tanto tempo sem aprender uma coisinha ou outra.



Escrito por Bruno às 08h26
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Por fim, a apresentação do livro! - leia o post mais antigo de hoje pra entender

BONS AGOUROS

 

Uma Narrativa de Certos Eventos que ocorrem nos últimos onze anos da história humana, estritamente de acordo, como o que será mostrado, com:

 

As Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter

 

Compilado e editado, com notas de rodapé imbuídas de uma Natureza Educacional e Preceitos Prudentes, por Neil Gaiman e Terry Pratchett.

 



Escrito por Bruno às 11h54
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